quinta-feira, 12 de julho de 2012

Assange e o Equador

Correa ressalta que Equador é soberano para decidir sobre Assange

O presidente Rafael Correa reiterou nesta terça-feira (10) que a decisão de seu país sobre a solicitação de asilo político de Julian Assange será soberana e não se terá que pedir permissão a ninguém para isso. 
Em uma entrevista ao canal de televisão RTS e à Rádio Forever, o mandatário se recusou a aprofundar o caso e explicou que se continua analisando o pedido do jornalista australiano, que permanece na Embaixada equatoriana em Londres desde o dia 21 de junho.

Correa enfatizou que não se pronunciará sobre o tema até acabar toda a análise das causas do pedido, mas insistiu em que, com muito respeito à Inglaterra, Suécia e Estados Unidos, o país tomará uma decisão soberana.

Em uma carta a Correa o fundador da Wikileaks expressou seus temores de ser extraditado à Suécia por supostos delitos sexuais e em seguida para os Estados Unidos, onde poderia ser condenado à morte.

A respeito, o mandatário manifestou que no caso de Assange ter cometido algum delito, a pena deveria ser proporcional à infração e se deve seguir o devido processo.

Correa afirmou não temer possíveis repercussões no caso de se aprovar o asilo para Assange e acrescentou que "isso equivaleria aos Estados Unidos temer repercussões porque tem aos Isaías (banqueiros processados pela justiça equatoriana), que são fugitivos da justiça”.

Nesta terça-feira (10), Xavier Lasso, jornalista da televisão equatoriana e colunista no diário Telégrafo, publicou um artigo em que assinala que "Assange deve ser protegido não porque é santo, mas por suas convicções políticas”.

O comunicador expressa que inclusive no Fórum de São Paulo se pronunciaram a favor de que o Equador conceda o pedido do australiano, cuja contribuição, disse, é ter revelado os procedimentos do Ocidente nos mais de 250 mil e-mails da Wikileaks.

Lasso considera correto que o país se ocupe em responder o requerimento de asilo político, mas assinala que "é possível responder, sustentados em nossas mais profundas crenças, para impedir uma atroz injustiça”.

Fonte: Prensa Latina

terça-feira, 3 de julho de 2012

Putin e o Paquistão

Uma Casa da Rússia no Oceano Índico


Os tijolos para construir a histórica visita que o presidente Vladimir Putin da Rússia (foto) fará ao Paquistão em setembro já começaram a chegar a Islamabad. É momento de máxima importância na história e na política regionais. Será a primeira vez que um presidente russo visitará o Paquistão, desde que o país nasceu, em 1947. 

Os russos estão produzindo tijolos muito resistentes para a casa que esperam erguer na região que é cabeça de praia no Oceano Índico – mansão suficientemente grande para receber os amigos dos russos, do Paquistão e dos países vizinhos, Índia, Irã e Afeganistão, que queiram conviver com os russos. 

Mas... os EUA enfureceram-se, à mera visão dos tijolos russos. O ponto é que essa Casa da Rússia estará plantada no meio da estrada, sobre a Nova Rota da Seda que os EUA vêm planejando, e que tem de atravessar o Paquistão. Se o acesso ao Paquistão ficar bloqueado, será extremamente difícil para os EUA manter unidos o corpo e a alma das dezenas de milhares de soldados que os EUA esperam manter alocados no Hindu Kush e na Ásia Central, feito neopioneiros no “Oeste Selvagem” da Xingjiang chinesa e no “baixo ventre macio” da Rússia. 

Em resumo, a batalha começou, pelo controle sobre o futuro do Paquistão. Há muitos interessados, e a luta à frente ameaça ser duríssima, porque no coração da disputa estão inúmeras outras questões, todas com consequências profundas na política mundial – segurança no campo da energia das duas grandes usinas da Ásia (China e Índia); o futuro do Novo Oriente Médio; e, é claro, a estratégia dos EUA para ‘conter’ Rússia e China. 

Moscou escalou diplomata talentoso e de vastíssima experiência, para visitar o Paquistão em maio e avaliar o terreno. É homem de cuja reputação se fazem as lendas nas montanhas do Hindu Kush – embaixador Zamir Kabulov, principal homem da Rússia no Afeganistão. Ao escalar Kabulov, Moscou declara também, gentilmente, a amplidão de suas intenções no que tenham a ver com o projeto arquitetônico: a nova mansão russa terá ares de Afeganistão. 

Imediatamente depois da visita de Kabulov, os especialistas russos começaram a desembarcar no Paquistão. Trazem propostas de alta significação para a segurança e a estabilidade regionais. Moscou demarcou a questão da cooperação no campo da energia, como o fulcro da nascente cooperação com Islamabad. 

Ressurge uma ideia de seis anos passados... 

É decisão arguta de Moscou, porque a segurança no campo da energia é questão-chave na economia política do Paquistão, não menos importante que o terrorismo. Grandes áreas do Paquistão só têm hoje poucas horas diárias de eletricidade; e a ira popular é visível. Moscou avaliou que a segurança energética é parte essencial da capacidade do Paquistão para preservar sua “autonomia estratégica” e o status de potência sul-asiática; portanto, ao oferecer ajuda ao país nessa área, os interesses geopolíticos russos em vastas porções do Oriente Médio Expandido – do Golfo Persa à Região Autônoma de Xinjiang na China –, estarão também sendo promovidos. 

Além disso, em termos imediatos, entender-se com o Paquistão está-se convertendo em imperativo para os russos, no cenário afegão pós-2014, depois de as potências ocidentais terem completado a ‘retirada’, mas quando ainda haverá ali presença militar não desprezível, sem fim previsto, de dezenas de milhares de soldados. 

Rússia e Paquistão estão juntos na oposição à ocupação de longo prazo do Afeganistão, pelo ocidente: a Rússia espera influenciar as políticas paquistanesas relacionadas ao futuro do Afeganistão; por sua vez, a cooperação com o Paquistão amplia a resiliência russa total para desempenhar papel efetivo na estabilização do Afeganistão e na oferta de segurança na Ásia Central; e, do mesmo modo, um relacionamento forte com Paquistão – no campo da segurança energética, sobretudo – pode garantir aos russos mais um gancho nos laços estratégicos com outras potências regionais chaves, especialmente China, Índia, Irã e Arábia Saudita. 

Por fim, mas não menos importante, o Paquistão é valioso interlocutor para os russos, no que tenha a ver com atividades e movimentos dos militantes que operam no Cáucaso Norte. 

Tudo isso posto, a Rússia sopesa cuidadosamente suas opções e é avessa a embarcar em aventuras à moda da era soviética que se possam converter em drenagem de recursos. A prioridade dos líderes russos é regenerar e inovar a economia e construir força nacional; e, no caso do Paquistão, Moscou estima que aí se possa construir uma interessante parceria, de alto valor econômico para a Rússia benefício para os dois lados. 

Tudo considerado, a estratégia de Moscou é desenvolver novos músculos de cooperação com o Paquistão, que sejam sustentáveis, duráveis e que operem em harmonia com as vibrantes parcerias estratégicas da Rússia com a China, a Índia e o Irã. 

Dito em outros termos, a abordagem russa provê um necessário “ajuste” político-regional, ou, mesmo, é pré-requisito à iminente admissão de Paquistão e Índia como membros-plenos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) [orig. Shanghai Cooperation Organization (SCO)]. 

Putin é estadista orientado para a ação. A parte triste é que se passaram seis longos anos desde que, pela primeira vez, o mesmo Putin propôs, na reunião da OCX em junho de 2006, a criação de um clube de energia dentro do grupo regional, no qual se reunissem os países produtores (Rússia, Irã e os países da Ásia Central) e os três grandes consumidores (China, Índia e Paquistão) de energia.

Naquela mesma reunião da OCX, Putin anunciou, pela primeira vez publicamente, que a empresa-leviatã da energia russa, a Gazprom, desejava participar da construção do gasoduto Irã-Paquistão-Índia, IPI. Em sua fala em 2006, Putin disse que “A Gazprom está pronta a participar e a prover assistência técnica e, se necessária, também assistência financeira; e estamos prontos a oferecer quantidades consideráveis de uma e outra, sobretudo para projeto que com certeza decolará.”
[1] 

A ideia de Putin é que os exportadores de petróleo e gás dentro da OCX sempre competiram por mercados promissores (como China ou Índia); para coordenar os próprios movimentos, a OCX carece de um clube de energia, que atuará como centro de coordenação, aproximando os produtores de energia e aqueles três consumidores chaves. 

Outro importante ator na Ásia Central que até agora se manteve fora da OCX é o Turcomenistão – e chega a soar estranho falar em clube de energia na região, que não inclua tão poderoso produtor de gás, como o Turcomenistão. A Rússia tem algumas disputas de gás com o Turcomenistão – país com o qual, contudo, a China mantém relacionamento caloroso no campo da cooperação energética. 

Desenvolvimento de alta significação, pouco noticiado, foi que o presidente chinês Hu Jintao convidou o presidente turcomeno a visitar Pequim, mês passado, quando da reunião da OCX –, convite aceito. Basta para ver que a China está interessada em harmonizar suas políticas regionais com a Rússia e pode até ajudar Moscou em seus esforços para coordenar os impulsos da segurança energética entre e com países membros e países observadores da OCX. 

Detalhe surpreendente é que as propostas que os especialistas russos trouxeram a Islamabad semana passada retomam, na essência, as linhas centrais daquela proposta de Putin em 2006. Considerados os detalhes já conhecidos até agora, são as seguintes as propostas que Moscou está trazendo a Islamabad:

– A Rússia pode oferecer assistência financeira e técnica aos projetos multibilionários de importação de gás e energia para o Paquistão (o gasoduto). 

– Especificamente, a Rússia tem interesse em participar dos dois grandes projetos de oleogasodutos na área, a saber, o TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-
Paquistão-Índia) e o IP [Irã-Paquistão]. 

– A Rússia prefere que a cooperação seja negociada no nível governamental, em negociações diretas (não em concorrências). 

– A Rússia também deseja participar no projeto Ásia Central e Sul da Ásia (ACSA) [orig. Central Asia and South Asia (CASA)], originalmente aventado em 2006, para levar ao Paquistão, por linhas de transmissão que cruzarão o leste do Afeganistão, 1.000-1.300 megawatts de energia extra, nos meses do verão, a partir do Tadjiquistão e Quirguistão (projeto que tem o apoio do Banco Mundial e do Banco Islâmico de Desenvolvimento [orig. Islamic Development Bank].

– A Rússia está disposta a cooperar na exploração de petróleo, gás e minérios no Paquistão. 

Não surpreendentemente, Islamabad apressou-se responder às propostas russas. Até agora, já há entendimentos, acertados nas primeiras conversações, concluídas em Islamabad na 4ª-feira: 

– O Paquistão acolhe com bem-vindas as propostas russas. Especificamente, o Paquistão é favorável a negociar contratos com as empresas estatais russas de energia em contatos diretos governo-a-governo; e está disposto a adaptar a legislação vigente, para viabilizar esse processo. 

Serão tomadas as providências necessárias para concluir um memorando de entendimento  que viabilize, durante a visita de Putin ao Paquistão, o processo de fazer avançar os projetos identificados: 

–  Sobre o oleogasoduto IP, o Paquistão já fez contato com os interessados nos contratos para construir o oleogasoduto (obra estimada em US$1,5 bilhão). A Gazprom russa também participará. O Paquistão tem especial interesse em propostas que tragam, atachado, o pacote de financiamento. (China e Irã também manifestaram interesse em participar desse projeto.) 

Até meados de julho, o Paquistão encaminhará à Rússia, para estudo, um rascunho de acordo para assistência técnica e financeira a ser recebida dos russos, com vista ao projeto IP. 

– A Rússia aceitou financiar os trabalhos de recuperação das usinas de energia de Guddu e de Muzaffargarh... 

... O que enfureceu deus-todo-poderoso 
Todos esses desenvolvimentos são desafio audacioso, frontal, às estratégias regionais dos EUA na Ásia e no Oriente Médio. As ramificações vão muito, muito longe. 

Em primeiro lugar e a mais importante: vê-se a ‘defecção’ do Paquistão, que abandona o campo ocidental, sim. Mais que isso, contudo, o movimento dos russos aproxima-se muito, muito, de golpe “incapacitante” contra a Iniciativa Nova Rota da Seda dos EUA, pensada para conter a influência de russos e chineses na Ásia Central. Como se não bastasse, os sonhos dos EUA, de chegar aos vastos recursos minerais da Ásia Central e do Afeganistão sofrem, aí, um rude golpe.

No plano prático, a geografia do Paquistão foi a base das estratégias regionais dos EUA no Afeganistão e na Central Asia; sem a cooperação do Paquistão [pensado como não russo e não iraniano], nenhum elo de comunicação poderá ser mantido com aquelas regiões; e isso, por sua vez, ameaça ‘existencialmente’ os planos para estabelecer presença permanente de militares dos EUA e da OTAN na região que é “o coração da Eurásia”. 

De fato, a segurança no campo da energia é o calcanhar de Aquiles da economia política do Paquistão e debilita a capacidade do Paquistão para desenvolveu autonomia estratégica que proteja seus interesses vitais; na direção oposta, o atual déficit agudo de energia torna o Paquistão muito vulnerável a pressões dos EUA. Daí que a mão russa amiga, ainda que movida por autointeresses, terá sérios efeitos geopolíticos sobre as estratégias regionais dos EUA, uma vez que a Rússia trabalha para dar mais independência e resiliência ao Paquistão, criando espaço para que o país atravesse um estreito corredor de tempo, particularmente difícil e tormentoso, ajudando o Paquistão a sobreviver a vasto conjunto de ameaças existenciais. 

Mais uma vez, a reunião de países que produzem e países que consomem energia na Ásia é o cenário de máximo pesadelo para os EUA, que temem ser excluídos da matriz de cooperação regional de países locais, onde se reúnem as economias que mais crescem no planeta. Toda a estratégia dos EUA no período pós-soviético visou a evitar essa eventualidade catastrófica, que tornaria impossível para os EUA se integrarem “no coração da Eurásia” – onde está impressionante seleção das maiores potências das próximas décadas: Rússia, China, Cazaquistão, Índia, Paquistão e Irã. (A possível admissão da Turquia como “parceiro para o diálogo” da OCX – por sugestão da China, na reunião da organização em Pequim, mês passado – também enerva terrivelmente os EUA.) 

De fato, outras várias questões também surgem. Os movimentos russos no Paquistão efetivamente contornam e neutralizam as políticas dos EUA para isolar o Irã. No caso de eclodirem hostilidades entre EUA e Irã, Washington enfrentará isolamento quase total na região entre o Golfo Persa e o Estreito de Malacca. Por outro lado, o projeto do oleogasoduto Índia-Paquistão (que parece ser prioritário tanto para a Rússia quanto para a China) terá impacto devastador na política dos EUA para o Irã, porque multiplicará várias vezes as capacidades estratégicas do Irã. Os EUA terão de considerar que é questão de tempo, para que a China seja conectada ao oleogasoduto IP. Esses laços comunicacionais efetivamente ajudam a China a reduzir sua dependência do Estreito de Malacca. 

O pior de tudo: Washington não tem segurança de como a Índia abordará a mudança geopolítica emergente que a Rússia está pondo em movimento. Índia e Rússia tradicionalmente gozam de confiança e confiabilidade mútuas. Índia e Irã também têm laços fundamentalmente fortes, que resistiram à pressão dos EUA. A Índia está trabalhando independentemente a favor da normalização de suas relações com a China; e os dois países conseguiram avanços consideráveis nessa direção. (Curiosamente, as empresas estatais indianas e chinesas do setor de energia acabam de concluir um memorando de entendimento, segundo o qual se comprometem a não contestar as propostas umas das outras, em outros países, e a cooperar entre elas, inclusive nos respectivos setores domésticos.) 

Mais importante, a segurança energética está tornando-se preocupação crucial para os líderes indianos, com a economia em rápida expansão e a cada vez mais presente necessidade de garantir acesso, a preços razoáveis, a fontes de energia, convertendo-se em paixão obcecada das políticas externas da Índia. (O ministro de Assuntos Externos da Índia, S M Krishna embarca para o Tadjiquistão, fonte da energia para o Projeto ACSA, na 3ª-feira.) 

As opções diplomáticas e político-militares dos EUA para conter os movimentos dos russos no Paquistão concentram-se principalmente sobre a via de influenciar as políticas do Paquistão e da Índia. Os EUA buscam uma abordagem mista para o Paquistão, alternando sinais soft e um pouco mais de músculos, que já começa a assumir vagos sinais de ameaça. Recentemente, tudo levava a crer que os EUA apresentariam, em junho, alguma espécie de pedido de desculpas pelo massacre de soldados paquistaneses num ataque militar dos EUA em novembro passado, na fronteira Afeganistão-Paquistão, depois de o Paquistão reabrir o trânsito para passagem, por seu território, dos comboios da OTAN. 

Mas, depois das confabulações russo-paquistanesas, os EUA endureceram. Aconteceu mais um ataque na 2ª-feira contra soldados paquistaneses (18 dos quais foram brutalmente degolados) por grupos militantes de origem obscura que operam a partir de “paraísos seguros” dentro do Afeganistão. Não se requer grande argúcia para ver que as forças dos EUA no Afeganistão preferem não ver o que esses militantes fazem bem debaixo de seus narizes. (Esses “paraísos seguros” de militantes, curiosamente, correspondem exatamente à região pela qual passarão as linhas de transmissão do Projeto ACSA, que partem do Tadjiquistão.) 

Seja como for, na quarta-feira, o comandante dos EUA no Afeganistão, John Allen, esteve no quartel-general do Paquistão em Rawalpindi, para propor ao comandante do exército paquistanês, Parvez Kayani, que os dois lados engajem-se em “operações conjuntas” contra os militantes que operam na fronteira Afeganistão-Paquistão. 

Vai virar jogo de gato e rato. Os sinais são péssimos. Os incansáveis ataques dos drones nos últimos meses desestabilizaram as áreas tribais paquistanesas adjacentes à fronteira com o Paquistão. Os drones têm provocado muitas mortes de civis, a ponto de funcionários da ONU começarem a considerar a possibilidade de classificar essas matanças ‘fantasma’ como “crimes de guerra”. 

Os ataques dos drones  enfurecem a população das áreas tribais e disparam sentimentos antigoverno, enquanto Islamabad parece impotente para impedir que os EUA violem a integridade territorial do país. Muito obviamente, o Paquistão está cedendo; e os EUA não permitirão que isso continue. Tudo indica que os EUA aumentarão a pressão sobre o Paquistão e subirão calibradamente as tensões. 

Uma mudança de paradigma 

O xis da questão é que o “desafio estratégico” do Paquistão colheu de surpresa os EUA. Os EUA sempre contaram com a mentalidade comprador  das elites paquistanesas e, agora, de repente, foram apanhados no contrapé, ao descobrir que aquelas mesmas elites (as lideranças militares, sobretudo) já não são exatamente o que os EUA supunham que fossem. 

Claro, essa é perspectiva viciada e na raiz dela está baixa disposição, de Washington, para construir avaliação honesta de porque houve, afinal, essa mudança de paradigma. Os EUA não precisarão procurar muito longe para perceber as complexidades. A mais recente pesquisa divulgada pelo Pew Global Attitudes, na 4ª-feira, mostra que 74% dos paquistaneses “odeiam” os EUA; o presidente Obama alcança índices excepcionalmente baixos de popularidade. Não por acaso, o político paquistanês atualmente mais popular é Imran Khan (70% de aprovação), cujo principal item de campanha eleitoral é que o Paquistão afaste-se da guerra do Afeganistão e exija que as tropas dos EUA façam as malas e deixem a região, por bem, com seu maquinário de guerra. 

Os EUA enfrentam desafio mais complexo em relação à Índia. Washington teve a audácia de elogiar Nova Delhi recentemente, ao falar da Índia como “engrenagem” das estratégias norte-americanas na Ásia-Pacífico. Para desconsolo dos EUA, a resposta da Índia, até agora, foi um ensurdecedor silêncio, ao mesmo tempo em que o país afasta-se de qualquer ‘arranjo de gangue’ contra a China. Por outro lado, cresce a massa crítica indispensável para a normalização das relações sino-indianas. Igualmente, a Índia tem-se atentamente dedicado a proteger seu processo de diálogo com o Paquistão, contra as vicissitudes do impasse EUA-Paquistão. Mesmo em relação ao Irã, a Índia traçou limites que não serão ultrapassados e deixou claro que não será manipulada – e já se veem sinais de que Washington, afinal, entendeu. 

Tudo isso posto, os EUA dedicar-se-ão a intrometer-se no diálogo Índia-Paquistão e tentarão desviar o foco, para que se abordem as questões altamente emocionais do apoio do Paquistão ao terrorismo e aos ataques dos fidayeen em Mumbai em novembro de 2008, que arranharam profundamente a psique dos indianos e levantaram novas suspeitas quanto às intenções do Paquistão. 

Sobre segurança no campo da energia, os EUA têm encorajado a Arábia Saudita a ajudar mais generosamente a Índia, na esperança de encorajá-la a reduzir sua dependência do petróleo iraniano e, em termos gerais, para afastar a Índia do projeto do oleogasoduto IP. Em termos ideais, Washington buscará um abraço triplo, que aproxime EUA, Índia e Arábia Saudita, para manter os indianos longe das tentações de um clube de energia gerido pela Organização de Cooperação de Xangai. 

Mas longe vão os tempo em que os EUA sabiam como os demais países reagiriam. Washington está insegura. Os indianos também têm preferências e uma queda para calar os próprios pensamentos, ao mesmo tempo em que começam a tomar decisões independentes sobre como alcançar sues objetivos nacionais, em cenário regional complicado. 

[1] Há matéria sobre isso em 21/6/2006, em http://en.rian.ru/analysis/20060621/49855458.html [NTs].
Tradução: Vila Vudu
Fonte: Irã News
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ladeira abaixo pra Eike Batista


Eike Batista despenca no ranking das maiores fortunas após perdas relevantes

28/6/2012 10:29,  Por Redação - do Rio de Janeiro e São Paulo

Eike Batista
Eike Batista tem suas ações em risco devido a projeções negativas quanto ao patrimônio da EBX
O patrimônio do homem mais rico do Brasil despencou nas últimas 24 horas e, em nível mundial, o empresário Eike Batista caiu da 14ª para a 21ª posição no ranking das grandes fortunas, de acordo com a agência de notícias norte-americana Bloomberg News. A lista, atualizada com base nos preços das ações de empresas de capital aberto, mostra uma perda de US$ 2,4 bilhões (R$ 4,8 bilhões) nos mercados em apenas um dia.
No pregão da última quarta-feira, as empresas do conglomerado EBX, controlado pelo empresário, perderam, juntas, R$ 8,37 bilhões de valor de mercado. Os agentes financeiros demonstraram desconfiança em relação à capacidade de geração de receita do grupo, principalmente após a OGX, principal empresa da holding e ligada ao ramo de petróleo e gás, ter revisado para baixo seus dados de produção e as ações da OGX fecharam o pregão da última quarta-feira com queda superior a 20%.
Em nota, a EBX informou que as empresas do grupo estão “capitalizadas” e possuem “recursos suficientes para garantir a execução dos projetos”. Segundo a nota,
“o Grupo EBX segue firme no seu plano de investimentos da ordem de US$ 15,7 bilhões em dois anos. As companhias do Grupo estão capitalizadas, com recursos suficientes para garantir a execução dos projetos estruturantes desenvolvidos no País. Todas as empresas do Grupo EBX vêm cumprindo seus planos de negócios e geram 20 mil postos de trabalho nos empreendimentos em operação e construção”.
A queda teve origem no anúncio feito por meio de fato relevante ao mercado, na terça-feira. A empresa definiu a vazão ideal de 5 mil barris de óleo equivalente por dia para cada um dos dois poços do Campo de Tubarão Azul (antigo Waimea). Além disso, a companhia de petróleo e gás reafirmou sua confiança na recuperação dos 110 milhões de barris de óleo equivalente na região. Por conta da notícia pública, as ações da OGX caem quase 30% no pregão desta quarta-feira.
Em maio, o presidente da OGX, Paulo Mendonça, previra que a produção de petróleo da empresa deveria atingir entre 40 mil e 50 mil barris diários no segundo trimestre de 2013. A definição desta terça-feira acontece cerca de cinco meses após o início do teste de longa duração (TDL) no campo, no qual os poços OGX-26HP e OGX-68HP foram testados com vazões de 4 a 18 mil barris de óleo equivalente por dia.
Segundo a OGX, nos próximos 12 meses mais dois poços produtores e dois poços de injeção de água serão ligados à plataforma flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) OSX-1, com o objetivo de elevar a produção do campo de Tubarão Azul.
As ações da OGX Petróleo (OGXP3) despencam mais de 25% no pregão da véspera, arrastando o desempenho das outras empresas do grupo também para uma forte queda. Às 12h50, caíam exatamente 27,72%, ao valor de R$ 6,05. A reação dos mercados foi imediata. O Bank of America Merrill Lynch, o JP Morgan, o UBS e o Deutsche Bank traçam um cenário negativo para a empresa. A meta anterior era três vezes maior, de 15 mil barris, relembra a equipe de análise da JP Morgan. “O nível é inferior até que o último anúncio de volume reportado da empresa, de 8,5 mil”, acrescenta.
Segundo os analistas Marcus Sequeira e Luiz Fonseca, do Deutsche, em setembro a OGX chegou a indicar um nível de 20 mil barris por dia, com um potencial de melhora durante a fase de desenvolvimento. “Desde então, os fluxos de produção foram sendo revelados – a taxas inferiores – e o mercado foi ajustando as expectativas, mas ainda assim o comunicado é decepcionante”, disseram em relatório. A equipe do banco alemão afirma ainda que há risco sério sobre suas estimativas de volume recuperável, além de que tal anúncio torna a meta de produção da petrolífera como algo ainda mais difícil de ser alcançada.
“Tais volumes criam alta incerteza sobre o potencial de recuperação de petróleo da companhia, assim como o potencial máximo de volume em seus sistemas de produção. Adicionalmente, tal anúncio provavelmente prejudicará a confiança do investidor, já afetada pela recente sequência de perdas de guidance”, afirma a equipe do JP.
Números definitivos
Os analistas do JP Morgan, porém, alertam que ainda é preciso aguardar pelo processo de injeção de água nos poços, quando serão conhecidos os números definitivos de produção. Dependendo da resposta, o impacto sobre o valor líquido dos ativos pode ser de até 70%, sendo no mínimo 10%.
O UBS diz que isso é mais um fato negativo, em um momento no qual os ativos menos arriscados mostraram valer a metade do que era previsto nos modelos do banco suíço. Portanto, a equipe do banco diz se sentir ainda menos confortável com o valor dos ativos mais arriscados e anunciou que irá revisar sua metodologia.
A decepção foi tanta que a equipe do UBS mostra preferência pelo investimento na Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP3), cujas ações despencam 58% no ano, por ter um perfil de prêmio de risco melhor, após o anúncio colocar mais risco sobre o valuation da OGX.

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  1. Eike Batista vence ação contra Rodolfo Landim
  2. Produção da Petrobras cresce no Brasil no mês de maio em 1,4%
  3. Petrobras aumenta produção de petróleo em campos nacionais em 1,4% em maio
  4. Produção de gás natural nos campos do país aumentou 4,4% em um ano, segundo a ANP
  5. Petrobras anuncia plano de investimento de US$ 236,5 bi nos próximo 5 anos
Fonte: Correio do Brasil-online

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Chefe de Estado, incomoda


Sionistas incitam o ódio ao Irã no Brasil



Os sionistas, que em tudo se assemelham aos nazistas, utilizaram-se nesta quarta-feira (20) do seu enorme poder econômico para destilar seu ódio e sua intolerância racistas contra o Irã, por meio de um anúncio publicitário veiculado nos principais jornais do país, os panfletos impressos do PIG.
Por José Reinaldo Carvalho
O anúncio é assinado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), um dos famigerados lobbies do movimento sionista internacional. Agride o chefe de Estado da República Islâmica do Irã que visita a partir de hoje o Brasil para participar da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Rio+20.
Em sua peça mal ajambrada, os sionistas homiziados na Conib propagam seus valores racistas e anti-islâmicos, utilizando os recursos que aprenderam com seus êmulos goebelianos – a mentira mais deslavada.
Ignorando que estão instalados em um país democrático e tolerante, como o Brasil, que mantém relações amistosas com o Irã, e onde todas as confissões religiosas professam suas crenças livremente – graças, aliás, ao Partido Comunista do Brasil, que fez inscrever o princípio da igualdade religiosa na Constituição de 1946, contra a intolerância da Igreja Católica Apostólica Romana de então – os sionistas da Conib tentam incitar o ódio de outras religiões contra a fé islâmica.
Igualmente, incitam as mulheres, os homossexuais, advogados, jornalistas, cineastas e ativistas políticos a se manifestarem contra o visitante, o qual, além de participar das atividades da ONU na Rio+20, cumprirá no Brasil uma intensa agenda de trabalho e contatos com autoridades do governo, representantes da sociedade civil, intelectuais e demais formadores de opinião.
A peça publicitária da Conib acusa o Irã de ser uma ditadura. Mas é nos cárceres infectos do Estado sionista israelense que se encontram presos mais de dez mil palestinos, uma grande quantidade dos quais estão presos pelo “crime” de opinião. Entre esses prisioneiros há também crianças.
De maneira particular, chama a atenção a última mentira do citado anúncio. Os sionistas se apresentam como “amantes da paz” e incitam os pacifistas brasileiros a se manifestarem contra a “ditadura nuclear” iraniana. Ora, o Irã não tem armas nucleares. Ditadura nuclear mundial é a que exercem os patrões dos sionistas, os imperialistas estadunidenses, que além de possuírem um imenso arsenal de armas atômicas e outras de destruição em massa, foram os únicos que explodiram a bomba atômica por duas vezes, em Hiroshima e Nagasaki, e nunca se comprometeram a não mais repetir semelhante crime. Ditadura nuclear exerce o Estado sionista, títere do imperialismo no Oriente Médio, sendo o único possuidor de armas nucleares na região.
Além da ditadura nuclear, o Estado sionista pratica uma política expansionista e de extermínio do povo palestino, sendo uma ameaça para todos os povos árabes e não árabes da região.
Ao incitarem o ódio racial, religioso e a intolerância no Brasil, são os sionistas israelenses os indesejáveis em nosso país. Os chefes de Estado que chegam ao país para a Rio+20, entre eles o presidente da República Islâmica do Irã, Mahmud Ahmadinejad, são bem-vindos.
fonte: Rede Democrática 

sexta-feira, 1 de junho de 2012




CONVITE


O Pré-Vestibular Popular do Morro do Estado e a Casa da América Latina, convida todos(as) companheiros dos movimentos sociais, sindicatos e entidades de classe e lutadores do povo,
 para participarem da atividade de lançamento da parceria entre o Pré-Vestibular e a Casa da América Latina que passará uma vez a cada Mês um filme sobre a realidade social e política do nosso povo. O evento será no dia 02 de junho, ás 15:00 horas, no Campus do Gragoatá, Escola de Serviço Social, Bloco E. O filme de lançamento será um Documentário sobre "As Mães da Praça de Maio". Mais a apresentação da Agenda Colômbia -Brasil/Rio de Janeiro

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Estudantes universitários na Nicarágua marcham contra o FMI

Estudantes e docentes da educação superior marcham nessa quarta-feira para protestar contra as recomendações de uma comissão do Fundo Monetário Internacional que recomendou cortar o financiamento para a educação pública.
Estudantes universitários da Nicarágua marcharam nessa quarta-feira (23) para expressar sua rejeição às recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao considerá-las de "interferência em políticas nacionais a favor da educação e os direitos trabalhistas”.
Uma missão técnica do FMI recomendou ao governo nicaraguense cortar o financiamento para o ensino superior público, aumentar a idade de jubilação e o número de citações dos assalariados para receber os benefícios do pagamento por aposentadoria e executar ajustes fiscais.
A dirigente da União Nacional de Universidades de Nicarágua (UNEN), Regina López, disse que "a marcha será de caráter pacífico, e a realização também para mostrar apoio ao governo do presidente Daniel Ortega”. O Conselho Nacional de Universidades (CNU) e a direção sindical dos docentes confirmaram a convocatória para repudiar as medidas propostas pelo FMI.
De acordo com a dirigente da UNEN, "desde que Ortega voltou à direção do Executivo, está se cumprindo de maneira estrita o direito constitucional da educação superior ao receber, anualmente, seis por cento do orçamento da República”.
López explicou que "esse seis por cento do orçamento nacional está refletido em bolsas, atividades culturais, esportivas e cada estudante universitário representa uma família beneficiada”.
Por sua parte, o presidente do CNU e reitor da Universidade Nacional Agrária, Telémaco Talavera, questionou as recomendações do FMI. "Se o Fundo Monetário tinha uma inquietação sobre o seis por cento, por que não a apresentou para nós?, estamos dispostos a discuti-lo, não temos nada que esconder, ao contrário temos muito que dizer sobre os seis por cento e a educação”.
Também o professor Freddy Franco estimou que "precisamos de uma reforma tributária também em função do desenvolvimento humano do país, que fortaleça as políticas sociais dos últimos seis anos e uma reforma da segurança social capaz de proteger e fortalecer os direitos adquiridos”.
Outro que também se expressou foi o titular da Comissão Econômica da Assembleia Nacional, Wálmaro Gutiérrez, ao dizer que "mal faz o FMI ao estar sugerindo que se reforme o orçamento destinado ao Sistema Educativo Superior”.
Disse que "há outros temas sobre os quais se pode conversar com o FMI, porém os assuntos de caráter constitucional apenas vamos discuti-los e resolver com o povo nicaraguense”, explicou Gutiérrez.
A marcha irá desde a Avenida Universitária até a Assembléia Nacional, de maneira simultânea com outros protestos em cidades como León, Estelí, Matagalpa, Bluefields, Juigalpa e Jinotepe.

A notícia é da teleSUR-PL-LaPrensa-ElNuevoDiario-LaJornada/vg - FC-publicado pela Adital- online

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Procurando os atalhos da verdade


A verdadeira verdade

“A força pode esconder a verdade, a tirania pode impedi-la de circular livremente, o
medo pode adiá-la, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou”.
As palavras são da presidente Dilma Roussef na instalação da Comissão da Verdade,
realizada na quarta-feira em solenidade em Brasília.

Bom, se o que a presidente diz é verdade, cabem algumas perguntas: a verdade chegou
para quem? Chegou para punir os assassinos, os torturadores, os maus militares, os
péssimos brasileiros e os empresários que apoiaram um regime de exceção?

A verdade é imprescindível. Tão imprescindível que é preciso dizer a verdade naquilo
que mais prejudica o povo brasileiro: uma política econômica voltada para beneficiar
o capital, uma política econômica direcionada para os rentistas que lucram 47% do
Orçamento da União em detrimento da esmagadora maioria dos brasileiros.

É triste ver nosso país, uma das piores distribuições de renda de todo o planeta, direcionar
nossa produção para encher os cofres de pessoas desqualificadas, desqualificadas ao
ponto de não poderem ser tratadas como seres humanos. Os qualificaria como hienas,
mas não o faço em respeito ao animal.

Os três governos petistas aliaram-se ao capital, submeteram-se ao capital apenas pelo
Poder, por tudo que ele propicia. Será alguém capaz de apontar a verdade nas suas ações
e nas ações dos seus aliados que não seja em detrimento do povo brasileiro?

O capitalismo no Brasil já está em sua fase superior, portanto partícipe ativo do
imperialismo. Não há mais espaço para alianças com a burguesia, que há muito deixou
de ser nacional. Não há mais espaço humanitário para se aliar ao que existe de mais
retrógrado na sociedade: a sanha pelo lucro.

Se é a verdade que a presidente defende e quer, que ela propugna, pois então pratique-
a: rompa suas alianças com o mais nocivo existente na história da humanidade e dê os
braços ao povo, pois ele merece, afinal é quem trabalha, quem sustenta o país.

Esse mesmo povo merece muito mais que as esmolas oriundas de um Bolsa-Família.
Faça um governo de verdade, presidente. Seja verdadeiramente uma presidente do Brasil,
não uma mera gerente do capitalismo em nosso País.

Afonso Costa
Jornalista

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