A Casa da América Latina estará promovendo Ato de Repúdio ao Presidente do Peru Alan García, pelo massacre aos campesinos indígenas que está ocorrendo na região. Há pelo menos a dois meses vêem os campesinos estão sofrendo com forte repressão por parte do Governo Peruano e forças conservadoras encasteladas no País, essa situação tem obrigado diversas lideranças indígenas a se refugiarem.
Contamos com a Solidariedade e apoio de todos ao Ato.
Dia: 17/06/09( quarta-feira)
Horário: 11hs.
Local: Em frente ao Consulado do Peru
Av. Rui Barbosa, próximo a maternidade Fernando Figueira(Praia do Flamengo)
Fonte: Valmiria Guida- Secretária Geral da Casa da América Latina
Lutar pela Liberdade dos Cinco Heroís Cubanos prisioneiros do Império Norte Americano por Defenderem a Soberania de Cuba. Em 1959 em Serra Maestra a Revolução Vitóriosa inaugura o Socialismo na Ilha, promovendo para seu Povo Igualdade de Oportunidade. Nossos Cinco Heroís Cubanos mesmo sofrendo nos presídios do Império continuam lutando por Cuba Socialista. Viva nossos Heroís, Viva Cuba,Viva Revolução e Viva o Socialismo
quarta-feira, 10 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Governo peruano assassina e lança terror contra a população indígena

Presidente do Peru mostra a sua verdadeira face
É extremamente grave a situação no Peru. Há informações de que a repressão desencadeada pelo governo de Alan Garcia contra camponeses indígenas em Bagua, na região Amazônica, já provocou mais de 50 mortes, entre indígenas e policiais. A mídia hegemônica, para variar, de forma acrítica, está culpando os indígenas peruanos da etnia awaiún pelos acontecimentos. Leia na íntegra
9/6/2009
Presidente do Peru mostra a sua verdadeira face
É extremamente grave a situação no Peru. Há informações de que a repressão desencadeada pelo governo de Alan Garcia contra camponeses indígenas em Bagua, na região Amazônica, já provocou mais de 50 mortes, entre indígenas e policiais. A mídia hegemônica, para variar, de forma acrítica, está culpando os indígenas peruanos da etnia awaiún pelos acontecimentos.
O governo peruano, através do Ministro da Defesa, Antero Flores Aráoz, repetiu o que outros ministros já tinham dito, responsabilizando interesses estrangeiros “interessados em gerar conflitos”, mas sem especificá-los. O ministro não se conforma com o fato de que partidos da oposição devem apresentar moção de censura ao governo pela onda de violência em Bagua.
Se for feita uma pesquisa nos anais da história latino-americana vai se verificar que a linguagem utilizada pelo governo de Alan Garcia não difere em nada da de outros governos em circunstâncias semelhantes. Fazem acusações infundadas e não conseguem comprovar nenhuma delas. Nos tempos da Guerra Fria a acusação era contra a “subversão financiada por Moscou”. Era a época do ouro de Moscou que “secou” com o fim desse período.
Na verdade, os camponeses indígenas estavam protestando pacificamente desde abril contra a implementação no seu habitat histórico do acordo de livre comércio entre o Peru e os Estados Unidos, que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério na região.
O presidente Alan Garcia procurou impor aos camponeses o acordo, inclusive sem consultá-los, o que é totalmente ilegal, já que infringe o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo qual o Estado deveria informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejam apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru inclusive ratificou o referido Convênio da OIT em 1993, mas Alan Garcia simplesmente ignora esse fato optando pela violência.
Os indígenas não aceitam a promulgação de duas leis e sete decretos que, segundo o presidente da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), Alberto Pizango, permitem o rastreamento e a exploração por capitalistas dos recursos naturais amazônicos em territórios das comunidades nativas, apropriando-se de suas terras.
A legislação estabelecida por Alan Garcia com o uso de poderes especiais concedidos pelo Congresso, inclusive com o apoio de setores apoiadores do ex-presidente Alberto Fujimori, prejudica os direitos das comunidades indígenas, porque, segundo eles, permite a "privatização" das florestas e dos recursos hídricos.
O conservadorismo peruano, que se expressa hoje nos atos repressivos de Alan Garcia, está envenenando a opinião pública com afirmações totalmente infundadas e que demonstram a prática de um governo contra os movimentos sociais. Ou seja, como sempre acontece em momentos de crise, os governos que não estão em sintonia com os interesses populares agem de forma violenta reprimindo o povo.
É preciso dar um freio à truculência de Alan Garcia, o presidente que tem recebido o maior apoio do governo dos Estados Unidos. Garcia está fazendo um governo medíocre e, segundo os opositores, tem favorecido apenas os setores econômicos que dominam o país ao longo dos anos.
Se nada for feito em termos de pressão internacional, o banho de sangue na região Amazônica poderá aumentar, não se descartando a possibilidade de Alan Garcia tirar do colete a surrada acusação segundo a qual o grupo Sendero Luminoso estaria por trás dos indígenas que lutam por preservar seus direitos seculares.
Alan Garcia integra os quadros do Apra (Ação Popular pela Revolução Americana), um partido político de tradição histórica no Peru, mas que há tempos deixou de lado a sua plataforma de defesa dos interesses do povo peruano. Filiado à Internacional Socialista, o Apra não passa atualmente de uma agremiação de direita que defende os interesses do capital e vinculado estreitamente com os Estados Unidos.
Resta saber qual será o posicionamento dos governos latino-americanos em relação aos acontecimentos no Peru.
Fonte: Mario Augusto Jakobskind- jornalista e diretor da Casa da América Latina e do Sindicato dos Jornalistas de Niteroí
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Porque o Brasil continua a recusar os medicos formados em Cuba

Entraves
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Complementar 346/2007, que trata do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Cultural entre o Brasil e Cuba, para reconhecimento de Títulos de Medicina expedidos pela Elam. O projeto já foi aprovado nas Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de Constituição e Justiça.
No entanto, foi reprovado na Comissão de Educação e Cultura, através do pedido de rejeição do acordo diplomático feito pelo deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES). De acordo com o parecer dos parlamentares existem pontos divergentes no acordo.
Eles defendem que haja a submissão dos médicos formados em Cuba a uma prova de proficiência ou exame nacional coordenado pelo MEC, devido incompatibilidade da grade curricular entre o curso de medicina dos dois países.
Afonso Magalhães, que acompanha os médicos vindos de Cuba, afirma que, de acordo com a legislação, a prova de proficiência só deve ser feita quando há incompatibilidade total das grades curriculares, o que não é o caso da Elam em comparação com as universidades brasileiras.
“Nós temos uma formação para trabalhar e temos a intenção de trabalhar na atenção primária da saúde”, afirma Trindade em relação a alegação de necessidade de especialização dos médicos para o exercício da profissão no Brasil. Segundo ele, na formação que recebem em Cuba, os médicos tem acesso a procedimentos considerados de alta complexidade, sabendo assim quando pedi-los e como interpretar seus resultados.
Uma Coisa é certa se houve interesse do Governo brasileiro no reconhecimento dos Diplomas Cubanos, ele( Lula) já tinha revolvido, mais como ficaria diante da sua famigerada base de apoio?
Fonte: Brasil de Fato
comentário final: Valmiria Guida
terça-feira, 26 de maio de 2009
Cuba não está só
Seminário e Festa pelo Triunfo dos 50 Anos da Revolução Cubana
A Associação Cultural José Martí – RJ realizará o Seminário e a IV Convenção Estadual – RJ de Solidariedade a Cuba: “50 Anos do Triunfo da Revolução Cubana”, nos dias 8 e 9 de junho deste ano, no Campus da Praia Vermelha da UFRJ, em homenagem aos grandes feitos de Cuba Socialista.
Juntem-se a nós para que o evento atinja o objetivo proposto: saudar os 50 anos da Revolução Cubana. Encarecemos, ainda, que os companheiros (as) ajudem na divulgação.
Solidariamente, Zuleide F. Melo
Maiores informações: tel. 2532-0557
A Associação Cultural José Martí – RJ realizará o Seminário e a IV Convenção Estadual – RJ de Solidariedade a Cuba: “50 Anos do Triunfo da Revolução Cubana”, nos dias 8 e 9 de junho deste ano, no Campus da Praia Vermelha da UFRJ, em homenagem aos grandes feitos de Cuba Socialista.
Juntem-se a nós para que o evento atinja o objetivo proposto: saudar os 50 anos da Revolução Cubana. Encarecemos, ainda, que os companheiros (as) ajudem na divulgação.
Solidariamente, Zuleide F. Melo
Maiores informações: tel. 2532-0557
sábado, 16 de maio de 2009
Marcha Mundial da Juventude em Defesa do Cinco Herois
Juventude mundial marchará a favor dos Cinco Cubanos
Letra
A- A+
Adital -
Milhares de jovens marcharão pelas ruas de todo o mundo entre 6 a 8 de junho próximo para exigir a liberdade dos Cinco Heróis cubanos prisioneiros em cárceres norte-americanos. Estas manifestações acontecem dentro do programa de trabalho elaborado pelos participantes no II Encontro Internacional Juvenil de Solidariedade com os patriotas cubanos, concluído hoje em Habana.
Também enviarão postais ao presidente Barack Obama solicitando-o a liberação e promoverão o caso nos Estados Unidos com o objetivo que esse povo conheça o injusto do processo judicial, para contribuir a somar mais pessoas à campanha em seu favor.
Vamos reclamar o fim de uma enorme injustiça e pedir que se faça justiça com Rene González, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Fernando González, disse à AIN, Tiago Viera, presidente da Federação Mundial de Juventudes Democráticas.
Noticia enviada por Mario Augusto Jakobskind
Letra
A- A+
Adital -
Milhares de jovens marcharão pelas ruas de todo o mundo entre 6 a 8 de junho próximo para exigir a liberdade dos Cinco Heróis cubanos prisioneiros em cárceres norte-americanos. Estas manifestações acontecem dentro do programa de trabalho elaborado pelos participantes no II Encontro Internacional Juvenil de Solidariedade com os patriotas cubanos, concluído hoje em Habana.
Também enviarão postais ao presidente Barack Obama solicitando-o a liberação e promoverão o caso nos Estados Unidos com o objetivo que esse povo conheça o injusto do processo judicial, para contribuir a somar mais pessoas à campanha em seu favor.
Vamos reclamar o fim de uma enorme injustiça e pedir que se faça justiça com Rene González, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Fernando González, disse à AIN, Tiago Viera, presidente da Federação Mundial de Juventudes Democráticas.
Noticia enviada por Mario Augusto Jakobskind
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Inglês pra quem precisa
Por: Rodrigo Oliveira Fonseca
“Muitas dicas sobre a língua”. É isso o que o Jornal do Comércio, de Porto Alegre, promete para a coluna O inglês nosso de cada dia, escrita (em inglês…) pelo teacher Roberto Henry Ebelt. Apesar do título da coluna, ela não sai todos os dias, vem ali quase no final do caderno semanal “JC Empresas & Negócios”, o produto mais comercial deste jornal comercial.
Que jornal é esse? Seu slogan, restritivo e quase escondido, é “JC, o jornal de economia e negócios do RS”. Já a campanha de assinaturas projeta em letras garrafais, desinibidas: “O jornal de quem decide”. Quem há anos decide por lá é Mércio Tumelero, diretor-presidente do jornal e dono da rede de lojas Tumelero, cujo slogan, por sua vez, é “Para construir, reformar e decorar, ninguém facilita tanto”.
Pois então, este que decide (e facilita), tem por objetivo vender um jornal para homens de negócios, homens que decidem (e facilitam com seus produtos e formas de pagar) nossas vidas, e que, obviamente, precisam muito do inglês enquanto “ferramenta de trabalho” – ou seria ferramenta de capital?
Mas como é o inglês de quem decide? Que língua é essa?
A coluna desta última segunda-feira começa com “In our language”, que, se não estou enganado, é qualquer coisa como Na nossa língua. Isso dito em inglês certamente gera dubiedades. Pois seguimos a leitura e vemos que o teacher Ebelt se refere ao provérbio “MORREU, VIRA SANTO”. Este seria um fato da nossa língua (agora sim, portuguesa) e da nossa cultura política (brasileira…). Sua tese é que neste Brasil brasileiro teimaríamos em esquecer e perdoar.
Que bom que nem todos somos assim! Alguns teachers se prestam a nos lembrar das malignidades dos falsos santos, colocando os pingos nos “ais” (nas letras i, em inglês).
Após algumas passagens por “murderers” (assassinos, creio) do calibre de Che Guevara, Adolf Hitler, Lenin, Josef Stalin e Mao Tsé-Tung, vemos que o verdadeiro alvo da coluna de dicas do inglês é, de fato, Márcio Moreira Alves.
Internado desde outubro de 2008, Márcio morreu no início deste abril e é um ícone da luta contra a ditadura que nos calou, torturou e endividou entre 1964 a 1985 – essa mesma que, talvez por causa de alguma falha cultural, ainda não esquecemos nem perdoamos. Por isso mesmo o teacher Ebelt, oferecendo-nos mais dicas sobre a língua (de quem decide e facilita), glorifica os militares, pois “exactly 45 years after the Military had the guts to sacrifice their lives to prevent Brazil from becoming a socialist republic”. Não sei bem, mas parece que ele diz aí que os militares tiveram estômago (?) para sacrificar suas vidas em prol do anticomunismo…
Logo mais abaixo ele sugere ao leitor (do inglês, né?), que quando ouvir a expressão “ANOS DE CHUMBO (YEARS OF LEAD)” [tradução e caixa alta: sic], leve em consideração que uma verdadeira guerra estava (e ainda está!) acontecendo no Brasil, “a war between the Soviet empire together with its Brazilian fifth column members acting in enemy territory (Brazil) against the Brazilian Armed forces defending the whole Brazilian population”. Tenho que me desculpar com o leitor que não domina (e talvez não possa decidir e facilitar) o inglês, mas fico com medo de só mostrar a minha pobre tradução e ninguém acreditar nisso que foi publicado. Ali diz qualquer coisa como todos nós brasileiros fomos salvos pelos milicos, já que estávamos a um passo de nos tornarmos parte do Império Soviético. Uh…
Vejam que não é só a Folha de S. Paulo que anda brincando de revisionismo histórico. Se lá os homens que decidem falam em “ditabranda”, aqui é diferente, falam em guerra e em batalha permanente, ainda atual, já que se volta contra os vivos e contra a memória daqueles que, como Márcio Moreira Alves, há pouco chegaram ao Olimpo dos justos. As lágrimas de seus amigos próximos e familiares talvez ainda não tenham secado. Mas guerra é guerra, pois “communism is like an addiction”, alguma coisa tipo o comunista sempre quer mais, nunca está satisfeito, esse abusado!
Tá duvidando? Ebelt sugere que olhemos para os programas iniciados por esse homem que vive em Brasília e é “our boss”, o chefe dos homens que decidem e facilitam – mais ou menos isso, já que a gente sempre perde e acrescenta alguma coisa quando traduz…
“Why is he an idol for all the people who do not make a special effort to earn their livings?” Como é que pode, O Cara é ídolo dos que recebem tudo de mão beijada!
Fiquei um pouco em dúvida (inglês enferrujado, talvez) quando ele se refere à Estella, que seria a candidata “of (y)our president”. Acho que Ebelt precisa ser mais didático, ele mistura as lições básicas com as super avançadas! Estella, nome de guerra da Dilma, que ele retoma para essa guerra permanente contra os abusados, seria a candidata dos que decidem (“We, the businessmen”) ou a candidata do chefe de todos os que decidem (He, The Man)? Your or our?
Um pouco mais abaixo, quase no finzinho da coluna, ganhamos uma dica para responder a dúvida: é quando ele se refere, num inglês impecável, aos políticos de Brasília e à nossa heróica imprensa – e eis que o colunista desvela um pouco mais a natureza do jornal e a do sistema capitalista, já que não seriam os políticos aqueles que verdadeiramente decidiriam as coisas: “they feel that they are free to do things that even the Devil doubts, as we are informed everyday by the only POWER that gives us hope to continue struggling for our lives: THE PRESS.” Vou tentar escrever em português, eu juro, português brasileiro, pra facilitar: o que será que dá na cabeça desses políticos que agem como se não tivessem o rabo preso com ninguém? São aspirantes a subversivos, como constantemente nos informa o único PODER que não envergonha os que decidem: A IMPRENSA.
Difícil, não? E quem disse que o inglês é uma língua fácil? Que bom que ninguém nos facilita tanto a vida como os homens que decidem.
Não me senti plenamente respondido em relação ao “of (y)our president”, a tal ponto que corri em direção a um buscador on-line para saber alguma coisa sobre o teacher. Descobri um blog, com a seguinte descrição:
“Professor de Inglês como segundo idioma, escritor, Republicano (nos EEUU); fã de Ronald Reagan, apaixonado pela idéia de exportar os muçulmanos da Palestina para o raio que os partam. Amo Israel, EEUU e Alemanha”.
Ahá!… as suas dicas de língua são de inglês como segundo idioma, e ele só é Republicano nos Estados Unidos! Informação fundamental, pois sugere que aqui, no Brasil, ele é Democrata! Como bom Democrata, herdeiro da antiga Arena, apoiou (e apoia) a ditadura, não se exime de colocar o dedo nas feridas do povo, e de por, ainda mais, pingos de sangue nos nossos ais.
*Rodrigo Oliveira Fonseca é Jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em história social da cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), professor-bolsista e doutorando em estudos da linguagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
FONTE: http://zurdo-zurdo.blogspot.com/2009/05/pingos-nos-ais.html
“Muitas dicas sobre a língua”. É isso o que o Jornal do Comércio, de Porto Alegre, promete para a coluna O inglês nosso de cada dia, escrita (em inglês…) pelo teacher Roberto Henry Ebelt. Apesar do título da coluna, ela não sai todos os dias, vem ali quase no final do caderno semanal “JC Empresas & Negócios”, o produto mais comercial deste jornal comercial.
Que jornal é esse? Seu slogan, restritivo e quase escondido, é “JC, o jornal de economia e negócios do RS”. Já a campanha de assinaturas projeta em letras garrafais, desinibidas: “O jornal de quem decide”. Quem há anos decide por lá é Mércio Tumelero, diretor-presidente do jornal e dono da rede de lojas Tumelero, cujo slogan, por sua vez, é “Para construir, reformar e decorar, ninguém facilita tanto”.
Pois então, este que decide (e facilita), tem por objetivo vender um jornal para homens de negócios, homens que decidem (e facilitam com seus produtos e formas de pagar) nossas vidas, e que, obviamente, precisam muito do inglês enquanto “ferramenta de trabalho” – ou seria ferramenta de capital?
Mas como é o inglês de quem decide? Que língua é essa?
A coluna desta última segunda-feira começa com “In our language”, que, se não estou enganado, é qualquer coisa como Na nossa língua. Isso dito em inglês certamente gera dubiedades. Pois seguimos a leitura e vemos que o teacher Ebelt se refere ao provérbio “MORREU, VIRA SANTO”. Este seria um fato da nossa língua (agora sim, portuguesa) e da nossa cultura política (brasileira…). Sua tese é que neste Brasil brasileiro teimaríamos em esquecer e perdoar.
Que bom que nem todos somos assim! Alguns teachers se prestam a nos lembrar das malignidades dos falsos santos, colocando os pingos nos “ais” (nas letras i, em inglês).
Após algumas passagens por “murderers” (assassinos, creio) do calibre de Che Guevara, Adolf Hitler, Lenin, Josef Stalin e Mao Tsé-Tung, vemos que o verdadeiro alvo da coluna de dicas do inglês é, de fato, Márcio Moreira Alves.
Internado desde outubro de 2008, Márcio morreu no início deste abril e é um ícone da luta contra a ditadura que nos calou, torturou e endividou entre 1964 a 1985 – essa mesma que, talvez por causa de alguma falha cultural, ainda não esquecemos nem perdoamos. Por isso mesmo o teacher Ebelt, oferecendo-nos mais dicas sobre a língua (de quem decide e facilita), glorifica os militares, pois “exactly 45 years after the Military had the guts to sacrifice their lives to prevent Brazil from becoming a socialist republic”. Não sei bem, mas parece que ele diz aí que os militares tiveram estômago (?) para sacrificar suas vidas em prol do anticomunismo…
Logo mais abaixo ele sugere ao leitor (do inglês, né?), que quando ouvir a expressão “ANOS DE CHUMBO (YEARS OF LEAD)” [tradução e caixa alta: sic], leve em consideração que uma verdadeira guerra estava (e ainda está!) acontecendo no Brasil, “a war between the Soviet empire together with its Brazilian fifth column members acting in enemy territory (Brazil) against the Brazilian Armed forces defending the whole Brazilian population”. Tenho que me desculpar com o leitor que não domina (e talvez não possa decidir e facilitar) o inglês, mas fico com medo de só mostrar a minha pobre tradução e ninguém acreditar nisso que foi publicado. Ali diz qualquer coisa como todos nós brasileiros fomos salvos pelos milicos, já que estávamos a um passo de nos tornarmos parte do Império Soviético. Uh…
Vejam que não é só a Folha de S. Paulo que anda brincando de revisionismo histórico. Se lá os homens que decidem falam em “ditabranda”, aqui é diferente, falam em guerra e em batalha permanente, ainda atual, já que se volta contra os vivos e contra a memória daqueles que, como Márcio Moreira Alves, há pouco chegaram ao Olimpo dos justos. As lágrimas de seus amigos próximos e familiares talvez ainda não tenham secado. Mas guerra é guerra, pois “communism is like an addiction”, alguma coisa tipo o comunista sempre quer mais, nunca está satisfeito, esse abusado!
Tá duvidando? Ebelt sugere que olhemos para os programas iniciados por esse homem que vive em Brasília e é “our boss”, o chefe dos homens que decidem e facilitam – mais ou menos isso, já que a gente sempre perde e acrescenta alguma coisa quando traduz…
“Why is he an idol for all the people who do not make a special effort to earn their livings?” Como é que pode, O Cara é ídolo dos que recebem tudo de mão beijada!
Fiquei um pouco em dúvida (inglês enferrujado, talvez) quando ele se refere à Estella, que seria a candidata “of (y)our president”. Acho que Ebelt precisa ser mais didático, ele mistura as lições básicas com as super avançadas! Estella, nome de guerra da Dilma, que ele retoma para essa guerra permanente contra os abusados, seria a candidata dos que decidem (“We, the businessmen”) ou a candidata do chefe de todos os que decidem (He, The Man)? Your or our?
Um pouco mais abaixo, quase no finzinho da coluna, ganhamos uma dica para responder a dúvida: é quando ele se refere, num inglês impecável, aos políticos de Brasília e à nossa heróica imprensa – e eis que o colunista desvela um pouco mais a natureza do jornal e a do sistema capitalista, já que não seriam os políticos aqueles que verdadeiramente decidiriam as coisas: “they feel that they are free to do things that even the Devil doubts, as we are informed everyday by the only POWER that gives us hope to continue struggling for our lives: THE PRESS.” Vou tentar escrever em português, eu juro, português brasileiro, pra facilitar: o que será que dá na cabeça desses políticos que agem como se não tivessem o rabo preso com ninguém? São aspirantes a subversivos, como constantemente nos informa o único PODER que não envergonha os que decidem: A IMPRENSA.
Difícil, não? E quem disse que o inglês é uma língua fácil? Que bom que ninguém nos facilita tanto a vida como os homens que decidem.
Não me senti plenamente respondido em relação ao “of (y)our president”, a tal ponto que corri em direção a um buscador on-line para saber alguma coisa sobre o teacher. Descobri um blog, com a seguinte descrição:
“Professor de Inglês como segundo idioma, escritor, Republicano (nos EEUU); fã de Ronald Reagan, apaixonado pela idéia de exportar os muçulmanos da Palestina para o raio que os partam. Amo Israel, EEUU e Alemanha”.
Ahá!… as suas dicas de língua são de inglês como segundo idioma, e ele só é Republicano nos Estados Unidos! Informação fundamental, pois sugere que aqui, no Brasil, ele é Democrata! Como bom Democrata, herdeiro da antiga Arena, apoiou (e apoia) a ditadura, não se exime de colocar o dedo nas feridas do povo, e de por, ainda mais, pingos de sangue nos nossos ais.
*Rodrigo Oliveira Fonseca é Jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em história social da cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), professor-bolsista e doutorando em estudos da linguagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
FONTE: http://zurdo-zurdo.blogspot.com/2009/05/pingos-nos-ais.html
Assinar:
Postagens (Atom)
Pequenos colombianos, vitimas
O Mercado, não vê indigência

