sábado, 28 de julho de 2012

Dinheiro pra Guerra não falta


Obama celebra um novo acordo militar com Israel: O segundo passo da escalada imperialista contra a Síria e Irã


Esta sexta-feira (27//06) ficou marcada por mais um ato de guerra do presidente neofalcão Barack Obama ao aprovar uma lei, no congresso ianque, que reforça ainda mais os vínculos bélicos-militares entre o império ianque e o gendarme genocida de Israel. Destina-se estrategicamente a dar um passo adiante na escalada imperialista contra a Síria e Irã no plano “externo” e “acalmar” no âmbito nacional o eleitorado sionista, descontente com Obama, que representa a burguesia financeira imperialista. Paralelo a esta iniciativa institucional do governo, a madame Clinton (presidente do clube dos "muy" amigos da Síria) conseguiu a liberação emergencial de 50 milhões de dólares para a ofensiva do ELS sobre a cidade de Alepo. Esta escória de "insurgentes", manietada diretamente pelo imperialismo é curiosamente considerada por alguns dementes bastardos do trotskismo como uma "força nacionalista".
Obama sancionou esta lei não como um raio em céu de brigadeiro, mas como uma resposta imediata do Pentágono às ameaças do governo iraniano de fechar a passagem do Estreito de Ozmuz, caminho naval por onde passam grandes quantidades de petróleo (40% do tráfego marítimo petroleiro mundial) oriundos dos países árabes produtores da região e também pelo anúncio de que a Síria, como legítimo método de defesa, usaria armas químicas contra as tropas invasoras do gendarme de Israel.
O Estreito de Ozmuz há muitos anos tem sido palco de inúmeras crises entre os EUA e Irã, como em 1988 quando a marinha de guerra norte-americana derrubou um avião civil iraniano; em 2007 um barco americano invadiu as águas iranianas e seus marinheiros foram presos. Para navegar no Estreito todos, inclusive a Marinha dos EUA, são obrigados a passarem por águas territoriais iranianas, o que nos dá a dimensão da sua enorme importância estratégica no campo militar.
A Casa Branca ao aprovar o pacote de “ajuda adicional” ao Estado nazi-sionista de Israel, de quase um bilhão de dólares , deseja afinar seus tambores de guerra no Oriente Médio, fortalecendo seu posto avançado na região, do qual, após as eleições presidenciais, se valerá para dar início à intervenção militar contra os sírios e o país dos aiatolás como um segundo passo de sua guerra de rapina contra países considerados não-alinhados com o “american way life”.
Cinicamente, Obama afirma ter feito este acordo em nome da “segurança” na região: “Eu fiz disso uma prioridade na minha administração para aprofundar a cooperação com Israel através de todo um espectro de questões de segurança” (O Estado de S. Paulo, 27/7), isto é, os capitalistas “estão de olho” na manutenção da segurança dos petrodólares, aos interesses políticos e econômicos do império, do domínio militar absoluto do Golfo Pérsico e do seu entorno geopolítico. Para tanto, o enclave sionista deve contar com a “módica” ajuda de US$ 111 milhões prevista para se proteger de possíveis ataques iranianos, além dos US$ 680 milhões para um sofisticadíssimo sistema antimísseis e o desenvolvimento de uma vintena de superbombas chamadas “arrasa bunker”, cada uma pesando 14 toneladas, tendo uma capacidade de penetrar 70 metros na terra para destruir as instalações nucleares subterrâneas do Irã.
Os marxistas revolucionários tem um campo claro de atuação diante desta criminosa operação de guerra levada a cabo pelo monstro imperialista e seus títeres. Diametralmente oposto do que fazem os canalhas revisionistas do trotskismo (LIT, PTS, etc.), que se postam ao lado da “revolução árabe” (made in CIA) ao apoiar a insurgência impulsionada pela OTAN, que praticamente destruiu toda a infraestrutura nacional da Líbia e pretende igualmente conduzir a política de terra arrasada sobre a Síria e proximamente o Irã. Mais do que nunca está colocada a necessidade da destruição do enclave nazi-terrorista de Israel como parte inerente da derrota das forças saqueadoras da OTAN.
Blog da LBI

quinta-feira, 26 de julho de 2012

26 de Julho, dia Nacional da Rebeldia Cubana


Porque hoje é dia da Rebeldia !



DIA NACIONAL DA REBELDIA CUBANA


O ataque ao Quartel Moncada de Santiago de Cuba em 26 de julho de 1953, foi uma notícia que o mundo desconheceu. Os jornais publicaram sem muito alarde que o jovem advogado cubano Fidel Castro Ruz, com um grupo de jovens, atacou a segunda fortaleza militar do país, com o propósito de mudar a situação cubana, quer dizer, devolver a esmagada Constituição da República, e  derrubar o o general Fulgencio Batista que apenas um ano antes — em 10 de março de 1952 —dera um golpe de Estado militar, tirando do poder o presidente Carlos Prío Socarrás, eleito democraticamente.
A antiga fortaleza militar, atacada em 26 de julho de 1953 por um grupo de jovens, liderados por Fidel Castro,  virou Cidade Escolar 26 de Julho depois do triunfo da Revolução. 

Dessa maneira o mundo ignorou que nesse dia, em 26 de julho — domingo — foram torturados e assassinados, extrajudicialmente, uns 46 jovens presos, e em dias sucessivos a cifra aumentou a mais de 60, embora as notícias militares dissessem que tinham morto em combate com o exército. Em 26 de julho somente seis combatentes revolucionários morreram combatendo no quartel de Santiago de Cuba.

Quando no julgamento efetuado em Santiago de Cuba a partir de 21 de setembro de 1953 (Causa 37) o procurador perguntou a Fidel quem era o autor intelectual do Moncada, este respondeu com ênfase que ninguém tinha que preocupar-se, que o único autor do ataque ao Moncada era José Martí.


O revés tático começou a tornar-se uma vitória estratégica a partir de 21 de setembro, quando o chefe do Movimento revolucionário e do ataque ao Moncada — Fidel Castro — compareceu pela primeira vez ante o Tribunal, no Palácio de Justiça de Santiago de Cuba, como acusado e advogado, assumindo a defesa do ataque. Suas declarações e o processo de interrogatórios — como advogado — foram tão convincentes quanto às versões divulgadas desde o 26 de julho por Batista e seus cúmplices militares, que aquele julgamento mudou seu projeto em 48 horas e de acusado, Fidel tornou-se acusador.


Fidel pronunciou oralmente sua alegação de autodefesa, conhecido no mundo todo como A História me absolverá, discurso que ele mesmo reproduziu num texto durante o tempo que esteve na prisão, no antigo presidio Modelo, na Ilha de Pinos. As ações de 26 de julho de 1953 transformariam o mapa político de Cuba e do resto da América, constituindo um exemplo de que uma Revolução social era possível. O exemplo que mostrou esse grupo de cubanos, apoiados depois pela luta e pela vitória da anistia; pela expedição do Granma e a luta do Exército Rebelde na Serra Maestra; pela união dos grupos revolucionários; a greve geral de 1º de janeiro de 1959, convocada por Fidel, como comandante-em-chefe, e 55 anos de resistência dum povo, são o aval da importância daquele dia que o mundo não levou em conta.


(Fonte: Granma Internacional de 25 de julho)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Viva os 33 Anos da Revolução Sandinista


Continua la Revolución Sandinista

La Organización Política Los Necios (OPLN) felicita al Comandante Daniel Ortega y el Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN), que hoy celebran el 33 Aniversario de la Revolución Sandinista.

Es un orgullo que militantes de la OPLN puedan acompañar al pueblo Nicaragüense en este día histórico. Algunos de ellos se incorporan a los actos del Aniversario luego de haber participado en el Encuentro de Movimientos Sociales del ALBA, las Américas y el Caribe‏.

El apoyo al pueblo Hondureño de parte del FSLN después del golpe de estado militar el Junio 2009 se destacò por su solidaridad y compromiso, demostrando su carácter de revolución internacionalista. La reciente conformación del Partido Libertad y Refundación, LIBRE,  fortalece y consolida la lucha del pueblo Hondureño y permite a una nueva unión en la lucha anti-imperialista y de liberación de los pueblos latinoamericanos.

La OPLN felicita al FSLN en sus grandes logros obtenidos durante el último periodo del gobierno que incluyen la declaración del país libre de alfabetización, los servicios médicos gratis a través de la Operación Milagro, la disminución de la tase de pobreza  y el papel de integrante de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA).

La OPLN recuerda al histórico luchador Tomás Borges quien destacó por los numerosos papeles que tuvo durante la Revolución y el Partido FSLN.

Y junto a nuestras felicitaciones ponemos nuestra militancia revolucionaria a sus órdenes para trabajar por el avance de este proceso que nació desde el pueblo trabajador.

¡Viva Tomás Borges!


¡Venceremos!
¡Necedad!


 
Organización Política Los Necios
Tegucigalpa MDC 19 julio 2012

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1.
LIBRE saluda a la Revolución Sandinista en su 33 Aniversario

“Este movimiento es nacional y antiimperialista.
Mantenemos la bandera de libertad para
Nicaragua y para toda Hispanoamérica.
Por lo demás en el terreno social,
este movimiento es popular”

Augusto Cesar Sandino

El Partido Libertad y Refundación LIBRE saluda al Frente Sandinista de Liberación Nacional y al Comandante y Presidente Daniel Ortega Saavedra en el 33 Aniversario de la Revolución Armada y Popular Sandinista que hiciera caer la dictadura feroz de los Somoza y la influencia perversa del imperialismo norteamericano en Nicaragua.

Nuestro Partido reconoce en la lucha del pueblo nicaragüense y su vanguardia Sandinista el ejemplo más claro e importante del proceso por reivindicar los intereses de las mayorías en contra del neoliberalismo y los intereses mezquinos transnacionales.

Luego de tres gobiernos neoliberales (1990 – 1997) los logros de la Revolución Sandinista de 1979 tuvieron un amargo retroceso que acrecentó los niveles de pobreza y desigualdad, no obstante la lucha continua por la liberación y la claridad política de los dirigentes del FSLN, han logrado la ratificación en un segundo triunfo electoral y el emprendimiento de la recuperación económica con justicia social.

La Nicaragua de hoy, Cristiana, Socialista y Solidaria es un ejemplo para toda Latinoamérica, en la que se destaca el alcance de sus programas sociales y sus posturas de sólidos principios en la coyuntura internacional.

Nuestro Partido, surgido del seno del Frente Nacional de Resistencia Popular agradece nuevamente todo el apoyo del pueblo y el gobierno sandinista durante los días más duros del golpe de estado militar del 28 de junio de 2009, en el que su territorio recibió a nuestro Coordinador Nacional José Manuel Zelaya Rosales y a miembros de su legítimo gabinete en el exilio.

Deseamos que nuestros proyectos socialistas continúen hermanándose y sirvan de ejemplo unitario en la región, tal como lo hubiera soñado el paladín centroamericano Francisco Morazán.

Finalmente, recordamos con mucho afecto a nuestro amigo Comandante Tomás Borges, por su ejemplo, su lucha y nitidez ideológica que inspirará a miles de revolucionarios en el futuro que construimos.

¡Tomás Borges Vive!

¡Viva la Revolución Sandinista!

Partido Libertad y Refundación LIBRE

Tegucigalpa, MDC 19 de julio de 2012


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Assange e o Equador

Correa ressalta que Equador é soberano para decidir sobre Assange

O presidente Rafael Correa reiterou nesta terça-feira (10) que a decisão de seu país sobre a solicitação de asilo político de Julian Assange será soberana e não se terá que pedir permissão a ninguém para isso. 
Em uma entrevista ao canal de televisão RTS e à Rádio Forever, o mandatário se recusou a aprofundar o caso e explicou que se continua analisando o pedido do jornalista australiano, que permanece na Embaixada equatoriana em Londres desde o dia 21 de junho.

Correa enfatizou que não se pronunciará sobre o tema até acabar toda a análise das causas do pedido, mas insistiu em que, com muito respeito à Inglaterra, Suécia e Estados Unidos, o país tomará uma decisão soberana.

Em uma carta a Correa o fundador da Wikileaks expressou seus temores de ser extraditado à Suécia por supostos delitos sexuais e em seguida para os Estados Unidos, onde poderia ser condenado à morte.

A respeito, o mandatário manifestou que no caso de Assange ter cometido algum delito, a pena deveria ser proporcional à infração e se deve seguir o devido processo.

Correa afirmou não temer possíveis repercussões no caso de se aprovar o asilo para Assange e acrescentou que "isso equivaleria aos Estados Unidos temer repercussões porque tem aos Isaías (banqueiros processados pela justiça equatoriana), que são fugitivos da justiça”.

Nesta terça-feira (10), Xavier Lasso, jornalista da televisão equatoriana e colunista no diário Telégrafo, publicou um artigo em que assinala que "Assange deve ser protegido não porque é santo, mas por suas convicções políticas”.

O comunicador expressa que inclusive no Fórum de São Paulo se pronunciaram a favor de que o Equador conceda o pedido do australiano, cuja contribuição, disse, é ter revelado os procedimentos do Ocidente nos mais de 250 mil e-mails da Wikileaks.

Lasso considera correto que o país se ocupe em responder o requerimento de asilo político, mas assinala que "é possível responder, sustentados em nossas mais profundas crenças, para impedir uma atroz injustiça”.

Fonte: Prensa Latina

terça-feira, 3 de julho de 2012

Putin e o Paquistão

Uma Casa da Rússia no Oceano Índico


Os tijolos para construir a histórica visita que o presidente Vladimir Putin da Rússia (foto) fará ao Paquistão em setembro já começaram a chegar a Islamabad. É momento de máxima importância na história e na política regionais. Será a primeira vez que um presidente russo visitará o Paquistão, desde que o país nasceu, em 1947. 

Os russos estão produzindo tijolos muito resistentes para a casa que esperam erguer na região que é cabeça de praia no Oceano Índico – mansão suficientemente grande para receber os amigos dos russos, do Paquistão e dos países vizinhos, Índia, Irã e Afeganistão, que queiram conviver com os russos. 

Mas... os EUA enfureceram-se, à mera visão dos tijolos russos. O ponto é que essa Casa da Rússia estará plantada no meio da estrada, sobre a Nova Rota da Seda que os EUA vêm planejando, e que tem de atravessar o Paquistão. Se o acesso ao Paquistão ficar bloqueado, será extremamente difícil para os EUA manter unidos o corpo e a alma das dezenas de milhares de soldados que os EUA esperam manter alocados no Hindu Kush e na Ásia Central, feito neopioneiros no “Oeste Selvagem” da Xingjiang chinesa e no “baixo ventre macio” da Rússia. 

Em resumo, a batalha começou, pelo controle sobre o futuro do Paquistão. Há muitos interessados, e a luta à frente ameaça ser duríssima, porque no coração da disputa estão inúmeras outras questões, todas com consequências profundas na política mundial – segurança no campo da energia das duas grandes usinas da Ásia (China e Índia); o futuro do Novo Oriente Médio; e, é claro, a estratégia dos EUA para ‘conter’ Rússia e China. 

Moscou escalou diplomata talentoso e de vastíssima experiência, para visitar o Paquistão em maio e avaliar o terreno. É homem de cuja reputação se fazem as lendas nas montanhas do Hindu Kush – embaixador Zamir Kabulov, principal homem da Rússia no Afeganistão. Ao escalar Kabulov, Moscou declara também, gentilmente, a amplidão de suas intenções no que tenham a ver com o projeto arquitetônico: a nova mansão russa terá ares de Afeganistão. 

Imediatamente depois da visita de Kabulov, os especialistas russos começaram a desembarcar no Paquistão. Trazem propostas de alta significação para a segurança e a estabilidade regionais. Moscou demarcou a questão da cooperação no campo da energia, como o fulcro da nascente cooperação com Islamabad. 

Ressurge uma ideia de seis anos passados... 

É decisão arguta de Moscou, porque a segurança no campo da energia é questão-chave na economia política do Paquistão, não menos importante que o terrorismo. Grandes áreas do Paquistão só têm hoje poucas horas diárias de eletricidade; e a ira popular é visível. Moscou avaliou que a segurança energética é parte essencial da capacidade do Paquistão para preservar sua “autonomia estratégica” e o status de potência sul-asiática; portanto, ao oferecer ajuda ao país nessa área, os interesses geopolíticos russos em vastas porções do Oriente Médio Expandido – do Golfo Persa à Região Autônoma de Xinjiang na China –, estarão também sendo promovidos. 

Além disso, em termos imediatos, entender-se com o Paquistão está-se convertendo em imperativo para os russos, no cenário afegão pós-2014, depois de as potências ocidentais terem completado a ‘retirada’, mas quando ainda haverá ali presença militar não desprezível, sem fim previsto, de dezenas de milhares de soldados. 

Rússia e Paquistão estão juntos na oposição à ocupação de longo prazo do Afeganistão, pelo ocidente: a Rússia espera influenciar as políticas paquistanesas relacionadas ao futuro do Afeganistão; por sua vez, a cooperação com o Paquistão amplia a resiliência russa total para desempenhar papel efetivo na estabilização do Afeganistão e na oferta de segurança na Ásia Central; e, do mesmo modo, um relacionamento forte com Paquistão – no campo da segurança energética, sobretudo – pode garantir aos russos mais um gancho nos laços estratégicos com outras potências regionais chaves, especialmente China, Índia, Irã e Arábia Saudita. 

Por fim, mas não menos importante, o Paquistão é valioso interlocutor para os russos, no que tenha a ver com atividades e movimentos dos militantes que operam no Cáucaso Norte. 

Tudo isso posto, a Rússia sopesa cuidadosamente suas opções e é avessa a embarcar em aventuras à moda da era soviética que se possam converter em drenagem de recursos. A prioridade dos líderes russos é regenerar e inovar a economia e construir força nacional; e, no caso do Paquistão, Moscou estima que aí se possa construir uma interessante parceria, de alto valor econômico para a Rússia benefício para os dois lados. 

Tudo considerado, a estratégia de Moscou é desenvolver novos músculos de cooperação com o Paquistão, que sejam sustentáveis, duráveis e que operem em harmonia com as vibrantes parcerias estratégicas da Rússia com a China, a Índia e o Irã. 

Dito em outros termos, a abordagem russa provê um necessário “ajuste” político-regional, ou, mesmo, é pré-requisito à iminente admissão de Paquistão e Índia como membros-plenos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) [orig. Shanghai Cooperation Organization (SCO)]. 

Putin é estadista orientado para a ação. A parte triste é que se passaram seis longos anos desde que, pela primeira vez, o mesmo Putin propôs, na reunião da OCX em junho de 2006, a criação de um clube de energia dentro do grupo regional, no qual se reunissem os países produtores (Rússia, Irã e os países da Ásia Central) e os três grandes consumidores (China, Índia e Paquistão) de energia.

Naquela mesma reunião da OCX, Putin anunciou, pela primeira vez publicamente, que a empresa-leviatã da energia russa, a Gazprom, desejava participar da construção do gasoduto Irã-Paquistão-Índia, IPI. Em sua fala em 2006, Putin disse que “A Gazprom está pronta a participar e a prover assistência técnica e, se necessária, também assistência financeira; e estamos prontos a oferecer quantidades consideráveis de uma e outra, sobretudo para projeto que com certeza decolará.”
[1] 

A ideia de Putin é que os exportadores de petróleo e gás dentro da OCX sempre competiram por mercados promissores (como China ou Índia); para coordenar os próprios movimentos, a OCX carece de um clube de energia, que atuará como centro de coordenação, aproximando os produtores de energia e aqueles três consumidores chaves. 

Outro importante ator na Ásia Central que até agora se manteve fora da OCX é o Turcomenistão – e chega a soar estranho falar em clube de energia na região, que não inclua tão poderoso produtor de gás, como o Turcomenistão. A Rússia tem algumas disputas de gás com o Turcomenistão – país com o qual, contudo, a China mantém relacionamento caloroso no campo da cooperação energética. 

Desenvolvimento de alta significação, pouco noticiado, foi que o presidente chinês Hu Jintao convidou o presidente turcomeno a visitar Pequim, mês passado, quando da reunião da OCX –, convite aceito. Basta para ver que a China está interessada em harmonizar suas políticas regionais com a Rússia e pode até ajudar Moscou em seus esforços para coordenar os impulsos da segurança energética entre e com países membros e países observadores da OCX. 

Detalhe surpreendente é que as propostas que os especialistas russos trouxeram a Islamabad semana passada retomam, na essência, as linhas centrais daquela proposta de Putin em 2006. Considerados os detalhes já conhecidos até agora, são as seguintes as propostas que Moscou está trazendo a Islamabad:

– A Rússia pode oferecer assistência financeira e técnica aos projetos multibilionários de importação de gás e energia para o Paquistão (o gasoduto). 

– Especificamente, a Rússia tem interesse em participar dos dois grandes projetos de oleogasodutos na área, a saber, o TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-
Paquistão-Índia) e o IP [Irã-Paquistão]. 

– A Rússia prefere que a cooperação seja negociada no nível governamental, em negociações diretas (não em concorrências). 

– A Rússia também deseja participar no projeto Ásia Central e Sul da Ásia (ACSA) [orig. Central Asia and South Asia (CASA)], originalmente aventado em 2006, para levar ao Paquistão, por linhas de transmissão que cruzarão o leste do Afeganistão, 1.000-1.300 megawatts de energia extra, nos meses do verão, a partir do Tadjiquistão e Quirguistão (projeto que tem o apoio do Banco Mundial e do Banco Islâmico de Desenvolvimento [orig. Islamic Development Bank].

– A Rússia está disposta a cooperar na exploração de petróleo, gás e minérios no Paquistão. 

Não surpreendentemente, Islamabad apressou-se responder às propostas russas. Até agora, já há entendimentos, acertados nas primeiras conversações, concluídas em Islamabad na 4ª-feira: 

– O Paquistão acolhe com bem-vindas as propostas russas. Especificamente, o Paquistão é favorável a negociar contratos com as empresas estatais russas de energia em contatos diretos governo-a-governo; e está disposto a adaptar a legislação vigente, para viabilizar esse processo. 

Serão tomadas as providências necessárias para concluir um memorando de entendimento  que viabilize, durante a visita de Putin ao Paquistão, o processo de fazer avançar os projetos identificados: 

–  Sobre o oleogasoduto IP, o Paquistão já fez contato com os interessados nos contratos para construir o oleogasoduto (obra estimada em US$1,5 bilhão). A Gazprom russa também participará. O Paquistão tem especial interesse em propostas que tragam, atachado, o pacote de financiamento. (China e Irã também manifestaram interesse em participar desse projeto.) 

Até meados de julho, o Paquistão encaminhará à Rússia, para estudo, um rascunho de acordo para assistência técnica e financeira a ser recebida dos russos, com vista ao projeto IP. 

– A Rússia aceitou financiar os trabalhos de recuperação das usinas de energia de Guddu e de Muzaffargarh... 

... O que enfureceu deus-todo-poderoso 
Todos esses desenvolvimentos são desafio audacioso, frontal, às estratégias regionais dos EUA na Ásia e no Oriente Médio. As ramificações vão muito, muito longe. 

Em primeiro lugar e a mais importante: vê-se a ‘defecção’ do Paquistão, que abandona o campo ocidental, sim. Mais que isso, contudo, o movimento dos russos aproxima-se muito, muito, de golpe “incapacitante” contra a Iniciativa Nova Rota da Seda dos EUA, pensada para conter a influência de russos e chineses na Ásia Central. Como se não bastasse, os sonhos dos EUA, de chegar aos vastos recursos minerais da Ásia Central e do Afeganistão sofrem, aí, um rude golpe.

No plano prático, a geografia do Paquistão foi a base das estratégias regionais dos EUA no Afeganistão e na Central Asia; sem a cooperação do Paquistão [pensado como não russo e não iraniano], nenhum elo de comunicação poderá ser mantido com aquelas regiões; e isso, por sua vez, ameaça ‘existencialmente’ os planos para estabelecer presença permanente de militares dos EUA e da OTAN na região que é “o coração da Eurásia”. 

De fato, a segurança no campo da energia é o calcanhar de Aquiles da economia política do Paquistão e debilita a capacidade do Paquistão para desenvolveu autonomia estratégica que proteja seus interesses vitais; na direção oposta, o atual déficit agudo de energia torna o Paquistão muito vulnerável a pressões dos EUA. Daí que a mão russa amiga, ainda que movida por autointeresses, terá sérios efeitos geopolíticos sobre as estratégias regionais dos EUA, uma vez que a Rússia trabalha para dar mais independência e resiliência ao Paquistão, criando espaço para que o país atravesse um estreito corredor de tempo, particularmente difícil e tormentoso, ajudando o Paquistão a sobreviver a vasto conjunto de ameaças existenciais. 

Mais uma vez, a reunião de países que produzem e países que consomem energia na Ásia é o cenário de máximo pesadelo para os EUA, que temem ser excluídos da matriz de cooperação regional de países locais, onde se reúnem as economias que mais crescem no planeta. Toda a estratégia dos EUA no período pós-soviético visou a evitar essa eventualidade catastrófica, que tornaria impossível para os EUA se integrarem “no coração da Eurásia” – onde está impressionante seleção das maiores potências das próximas décadas: Rússia, China, Cazaquistão, Índia, Paquistão e Irã. (A possível admissão da Turquia como “parceiro para o diálogo” da OCX – por sugestão da China, na reunião da organização em Pequim, mês passado – também enerva terrivelmente os EUA.) 

De fato, outras várias questões também surgem. Os movimentos russos no Paquistão efetivamente contornam e neutralizam as políticas dos EUA para isolar o Irã. No caso de eclodirem hostilidades entre EUA e Irã, Washington enfrentará isolamento quase total na região entre o Golfo Persa e o Estreito de Malacca. Por outro lado, o projeto do oleogasoduto Índia-Paquistão (que parece ser prioritário tanto para a Rússia quanto para a China) terá impacto devastador na política dos EUA para o Irã, porque multiplicará várias vezes as capacidades estratégicas do Irã. Os EUA terão de considerar que é questão de tempo, para que a China seja conectada ao oleogasoduto IP. Esses laços comunicacionais efetivamente ajudam a China a reduzir sua dependência do Estreito de Malacca. 

O pior de tudo: Washington não tem segurança de como a Índia abordará a mudança geopolítica emergente que a Rússia está pondo em movimento. Índia e Rússia tradicionalmente gozam de confiança e confiabilidade mútuas. Índia e Irã também têm laços fundamentalmente fortes, que resistiram à pressão dos EUA. A Índia está trabalhando independentemente a favor da normalização de suas relações com a China; e os dois países conseguiram avanços consideráveis nessa direção. (Curiosamente, as empresas estatais indianas e chinesas do setor de energia acabam de concluir um memorando de entendimento, segundo o qual se comprometem a não contestar as propostas umas das outras, em outros países, e a cooperar entre elas, inclusive nos respectivos setores domésticos.) 

Mais importante, a segurança energética está tornando-se preocupação crucial para os líderes indianos, com a economia em rápida expansão e a cada vez mais presente necessidade de garantir acesso, a preços razoáveis, a fontes de energia, convertendo-se em paixão obcecada das políticas externas da Índia. (O ministro de Assuntos Externos da Índia, S M Krishna embarca para o Tadjiquistão, fonte da energia para o Projeto ACSA, na 3ª-feira.) 

As opções diplomáticas e político-militares dos EUA para conter os movimentos dos russos no Paquistão concentram-se principalmente sobre a via de influenciar as políticas do Paquistão e da Índia. Os EUA buscam uma abordagem mista para o Paquistão, alternando sinais soft e um pouco mais de músculos, que já começa a assumir vagos sinais de ameaça. Recentemente, tudo levava a crer que os EUA apresentariam, em junho, alguma espécie de pedido de desculpas pelo massacre de soldados paquistaneses num ataque militar dos EUA em novembro passado, na fronteira Afeganistão-Paquistão, depois de o Paquistão reabrir o trânsito para passagem, por seu território, dos comboios da OTAN. 

Mas, depois das confabulações russo-paquistanesas, os EUA endureceram. Aconteceu mais um ataque na 2ª-feira contra soldados paquistaneses (18 dos quais foram brutalmente degolados) por grupos militantes de origem obscura que operam a partir de “paraísos seguros” dentro do Afeganistão. Não se requer grande argúcia para ver que as forças dos EUA no Afeganistão preferem não ver o que esses militantes fazem bem debaixo de seus narizes. (Esses “paraísos seguros” de militantes, curiosamente, correspondem exatamente à região pela qual passarão as linhas de transmissão do Projeto ACSA, que partem do Tadjiquistão.) 

Seja como for, na quarta-feira, o comandante dos EUA no Afeganistão, John Allen, esteve no quartel-general do Paquistão em Rawalpindi, para propor ao comandante do exército paquistanês, Parvez Kayani, que os dois lados engajem-se em “operações conjuntas” contra os militantes que operam na fronteira Afeganistão-Paquistão. 

Vai virar jogo de gato e rato. Os sinais são péssimos. Os incansáveis ataques dos drones nos últimos meses desestabilizaram as áreas tribais paquistanesas adjacentes à fronteira com o Paquistão. Os drones têm provocado muitas mortes de civis, a ponto de funcionários da ONU começarem a considerar a possibilidade de classificar essas matanças ‘fantasma’ como “crimes de guerra”. 

Os ataques dos drones  enfurecem a população das áreas tribais e disparam sentimentos antigoverno, enquanto Islamabad parece impotente para impedir que os EUA violem a integridade territorial do país. Muito obviamente, o Paquistão está cedendo; e os EUA não permitirão que isso continue. Tudo indica que os EUA aumentarão a pressão sobre o Paquistão e subirão calibradamente as tensões. 

Uma mudança de paradigma 

O xis da questão é que o “desafio estratégico” do Paquistão colheu de surpresa os EUA. Os EUA sempre contaram com a mentalidade comprador  das elites paquistanesas e, agora, de repente, foram apanhados no contrapé, ao descobrir que aquelas mesmas elites (as lideranças militares, sobretudo) já não são exatamente o que os EUA supunham que fossem. 

Claro, essa é perspectiva viciada e na raiz dela está baixa disposição, de Washington, para construir avaliação honesta de porque houve, afinal, essa mudança de paradigma. Os EUA não precisarão procurar muito longe para perceber as complexidades. A mais recente pesquisa divulgada pelo Pew Global Attitudes, na 4ª-feira, mostra que 74% dos paquistaneses “odeiam” os EUA; o presidente Obama alcança índices excepcionalmente baixos de popularidade. Não por acaso, o político paquistanês atualmente mais popular é Imran Khan (70% de aprovação), cujo principal item de campanha eleitoral é que o Paquistão afaste-se da guerra do Afeganistão e exija que as tropas dos EUA façam as malas e deixem a região, por bem, com seu maquinário de guerra. 

Os EUA enfrentam desafio mais complexo em relação à Índia. Washington teve a audácia de elogiar Nova Delhi recentemente, ao falar da Índia como “engrenagem” das estratégias norte-americanas na Ásia-Pacífico. Para desconsolo dos EUA, a resposta da Índia, até agora, foi um ensurdecedor silêncio, ao mesmo tempo em que o país afasta-se de qualquer ‘arranjo de gangue’ contra a China. Por outro lado, cresce a massa crítica indispensável para a normalização das relações sino-indianas. Igualmente, a Índia tem-se atentamente dedicado a proteger seu processo de diálogo com o Paquistão, contra as vicissitudes do impasse EUA-Paquistão. Mesmo em relação ao Irã, a Índia traçou limites que não serão ultrapassados e deixou claro que não será manipulada – e já se veem sinais de que Washington, afinal, entendeu. 

Tudo isso posto, os EUA dedicar-se-ão a intrometer-se no diálogo Índia-Paquistão e tentarão desviar o foco, para que se abordem as questões altamente emocionais do apoio do Paquistão ao terrorismo e aos ataques dos fidayeen em Mumbai em novembro de 2008, que arranharam profundamente a psique dos indianos e levantaram novas suspeitas quanto às intenções do Paquistão. 

Sobre segurança no campo da energia, os EUA têm encorajado a Arábia Saudita a ajudar mais generosamente a Índia, na esperança de encorajá-la a reduzir sua dependência do petróleo iraniano e, em termos gerais, para afastar a Índia do projeto do oleogasoduto IP. Em termos ideais, Washington buscará um abraço triplo, que aproxime EUA, Índia e Arábia Saudita, para manter os indianos longe das tentações de um clube de energia gerido pela Organização de Cooperação de Xangai. 

Mas longe vão os tempo em que os EUA sabiam como os demais países reagiriam. Washington está insegura. Os indianos também têm preferências e uma queda para calar os próprios pensamentos, ao mesmo tempo em que começam a tomar decisões independentes sobre como alcançar sues objetivos nacionais, em cenário regional complicado. 

[1] Há matéria sobre isso em 21/6/2006, em http://en.rian.ru/analysis/20060621/49855458.html [NTs].
Tradução: Vila Vudu
Fonte: Irã News
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